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Tradução

TRADUÇÃO DE ESCRITOS ANTIGOS


A tradução da Bíblia e o desenvolvimento de metodologias próprias para a sua obtenção devem ser enquadradas na problemática geral de tradução de qualquer escrito produzido na antiguidade. Nas palavras de António A. Tavares "o maior obstáculo para o conhecimento das primeiras épocas históricas reside na leitura e interpretação das fontes escritas. Os textos, com escrita inacessível ao comum dos mortais e em línguas geralmente complicadas, escondem segredos que, por vezes, nem as próprias versões conseguem transmitir plenamente. Daí problematizar-se actualmente a tradução de textos da antiguidade, escritos em línguas mortas: traduzir literalmente ou livremente? Manter a forma literária ou respeitar apenas o sentido? Aguentar, por exemplo, as metáforas ou substituí-las? Usar paráfrases ou preferir linguagem concisa, embora hermética? Ou simplesmente tentar um certo equilíbrio entre literalismo e liberdade, de modo a conseguir exactidão e exercer sobre o leitor de hoje a impressão que o original causou sobre o leitor de outrora?"

Qualquer processo de tradução pode sempre ser definido em dois tempos, de acordo com Soares Carvalho: "leitura de um texto prévio e elaboração de um novo texto". Assim, o que importa discutir é a metodologia de uma tradução, ou seja a forma de verter uma mensagem originalmente pronunciada numa língua, para uma outra com uma estrutura e uma formulação diferente. No acto de realizar esta transposição há que ter em mente dois factores que se podem simbolizar por dois pratos de uma mesma balança, os quais podem ou não estar em equilíbrio: o prato da correspondência formal a nível lexical, morfológico e sintáctico (com ênfase na língua de origem) e, por outro lado, o prato do significado conotativo de cada termo da frase (com ênfase na língua receptora).





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